O bom da vida é sair por aí...Descobrir o mundo, descobrir as pessoas e as coisas...Sentir, olhar, experimentar... viver o que é bom e saber diferenciar...ampliar os horizontes sem ter medo de ousar!!!!

Por Camila Marinho

27 de janeiro de 2009

Poderia durar mais...

Faltando menos de 15 dias para voltar ao trabalho, tento me acostumar à idéia de ficar longe do Samuel. Afinal, nesses quase 6 meses eu só me afastei dele por algumas horas (não mais do que duas).

O peito é um dos principais motivos, já que nesse tempo todo Samuel foi alimentado exclusivamente com leite materno. Agora, por causa do retorno ao trabalho, iniciei as papinhas de frutas e legumes, como já disse aqui antes.

No primeiro dia de fruta foi um escândalo, pois ele me via e chorava. Queria o peito!!! No segundo e terceiro dia melhoramos... E nesta semana consegui ficar mais de 8 horas sem dar o peito (para que ele se acostume não só à minha ausência bem como à do leite materno). Nesse período, de quase 8 horas, foi alimentado com fruta e sopinha de legumes (assunto para outro post!!!)!

Sim, estamos progredindo. É bem certo que o progresso de Samuel é muito maior do que o meu. Ainda não consegui me desligar, ficar longe, me afastar completamente!!! Se saio de casa, por qualquer que seja o motivo, procuro não demorar. E se me afasto por mais de 1 hora já me ponho a ligar para casa. Quero ter notícias. Quero saber se está chorando. Se está comendo. Se está sentindo a minha falta. Se a babá está sendo cuidadosa...Um turbilhão de pensamentos me vem à cabeça.

Como será na volta ao trabalho, quando ficarei fora por pelo menos 7 horas seguidas??? Difícil imaginar!!!

Nesta semana falei para a babá que iria sair. E iria mesmo! Mas ainda no corredor tive uma idéia: ficar na porta ouvindo a movimentação em casa. Como a babá se comportaria??? Fiquei por mais de 20 minutos ouvindo tudo o que ela fazia. Tive medo. Mas graças a Deus nenhuma decepção. Quando o silêncio se fez presente pensei: - "É hora de entrar em casa"!

Entrei. No quarto, a babá com Samuel nos braços. O que ela fazia era tentar niná-lo.
- "Ufa, tudo bem" - pensei!

E então saí. Mas saí de verdade. Fui caminhar, voltar à rotina de exercícios. Apenas 20 minutos. Pouco tempo de esforço. Mas muito tempo longe de casa. Voltei. E no elevador o telefone tocou. No visor a identificação: Casa Cel. Atendi rapidamente. Era a babá.

- "Você ligou?" - perguntou ela.
- "Não, mas tô no elevador. Chegando em casa." - respondi.

Ao entrar em casa vi Samuel dormindo. Mas fiz um questionário à babá.

- "Me conta tudo, não esconde nada" - disse eu.
-" O que ele fez? Dormiu a que horas? Com bico ou sem bico??? Chorou???" - emendei...

Tem sido assim. Difícil. Muito mais para mim!

Nesta tarde fui ao shopping. Coisa rápida, só para comprar algumas coisitas. Mas de tempos em tempos eu olhava o celular. Não resisti e liguei. Mas sim, estava tudo bem.

Mal cheguei e dei outra saída. Desta vez com o marido para caminhar na orla. E Samuel, que estava cochilando, ficou com a babá. Com a devida orientação:

- "Qualquer coisa me ligue!!!"

O marido falou:

- "Estou marcando no relógio. Meia hora para ir e mais meia para voltar".
- "Isso tudo??? É muito" - disse eu
- "Não. Meia hora para ir e meia para voltar", repetiu ele.

Fomos. Eu, tensa. E pedindo ao marido para diminuir o período longe de casa. Mas ele, disciplinado que é, disse não. E eu, ansiosa que estava, de minuto em minuto perguntava:

- Quanto tempo já tem? Isso tudo??? Não dá para diminuir???

No meio do caminho de volta o telefone toca.
No visor a identificação: Casa cel.

- Ai meu Deus! É de casa - disse eu
- Atenda - disse o marido.
Tensa eu atendi.

- Oi (voz aflita)...
- Ele comeu os dois potinhos de papinha e acho que quer mais!!! - disse a babá.
- Os dois??? (felicidade enrustida!!!) Mas não tem mais. Então tenta dar o leite (tensão enrustida)!!! - respondi

Desliguei! Numa mistura de felicidade e tensão contei ao marido o ocorrido. E não hesitei em pedir:

- "Vamos voltar correndo???"
- "Não, está louca? Vamos caminhando!" - respondeu ele

Voltamos andando. Eu, tensa. Ele, calmo. Disse a ele:

- "Você nunca vai entender isso. Mãe é mãe. A ligação é muito mais forte!"

Tentei apressar o passo. Chegamos depois de uns 20 minutos. Do play ouvi o choro dele. Subi rápido. Quando cheguei, o choro tinha acabado. Ele estava chorando por causa da troca de fraldas! Voltou a chorar quando me viu!! Queria que eu o pegasse no colo!!!

E assim tem sido a minha adaptação! Entre medos e tensões. Mas aos poucos vou me preparando. Me preparando psicologicamente. E ao mesmo tempo pensando:

- Bem que poderia durar mais essa licença maternidade!

10 comentários:

Nathália Martins disse...

Poderia durar mais sim, acho que 1 ano estaria de bom tamanho.
Ah! Os bebês se adaptam muito mais rápido, com certeza, nós sofremos mais.
Mas pelo visto tá saindo tudo bem com a babá... Fico feliz!
Te entendo, mãe é mãe, só nós sabemos o que sentimos.
Bjs***

Bel disse...

Menina, é assim mesmo. A gente se desespera e eles (os pais) vivem em paz. E eles (os filhos) se adaptam e também vivem em paz. Só nós é que quase piramos, entramos em pânico e no fim (mas só no fim) vemos que está tudo bem.
Mas você não está sozinha...

Beijoooo

Juliana disse...

Ufa...fiquei tensa de imaginar!!Sou desse jeito, nunca passei mais que umas 4 horas longe da Clara, tudo eu que sempre fiz pra ela e acho que teria um treco se tivesse que deixá-la com alguém!! Mas como não vou voltar ao trabalho tão cedo, vou aproveitar pra curti-la um pouco mais. É dificil mesmo, dá uma insegurança, um medo, pavor mesmo. Nos dias que a deixei em casa para ir ao médico, nos primeiros meses, mesmo que estivesse com os avós, fui suando, ligando sempre e quando soube que ela tava chorando com fome, cancelei a consulta e voltei correndo...afiii...Dava 2 minutos de casa...rsrsrsrsrs
Mãe é mãe, não tem amor maior!!!
Beijinhossss

Priscila Sant'Anna disse...

Ah Camila, como te entendo!!! E sim, essa licença poderia durar mais, mas não sei se resolveria nosso caso.
Hoje foi minha primeira reunião de trabalho, fiquei a manhã fora, e como sofri! Deixei a Bia com a avó (imagina)mas só queria que a reunião terminasse logo para eu voltar correndo. Quando cheguei à casa da avó, Bia estava no portão e ela se jogou para o meu colo! Que emoção senti!
A adaptação é nossa Camila, já cheguei a conclusão que eles se adaptam fácil! Sentem sim nossa falta, mas parece que para nós é mais né?
Força para nós amiga!
Beijos
Pri

Deisi e Clara disse...

oiiieee....
fiquei nervosa junto com vc só de imaginar a cena...

mais com o tempo vc c acostuma, pra eles deve ser + fácil pdoe tr certeza!!!

beijocas

Gislene disse...

Sei exatamente o que vc está sentindo, quando pensei que teria de voltar ao trabalho no fim da maternidade, fiquei muito angustiada. Felizmente consegui um acordo e vou trabalhar com meus pais perto dele. MAs não por muito tempo. Quano ele fizer um aninho já penso em voltar para o mercado, e só de pensar já da um aperto. E isso de sair por instantes e não sossegar e ligar toda hora acontecew comigo também. Esse é o coração de mãe..

Gislene disse...

Tem um mimo pa vc lá no blog. Bjos!

Suzana disse...

Ei camila...é assim mesmo, eu tb qdo fico longe do Henrique por duas hras, fico louca pra chegar e dar um abraço e um beijo gostoso e olha que ele ja esta com dois anos... mas essa adaptaçao das papinhas tb é copmlicado, mas tudo passa, no começo é super dificil , mas aos poucos td se resolve! Unica coisa que nao consigo ainda é deixar ele sozinho com baba...prefiro trabalhar menos...Mas sua profissao é diferente e exige mais de vc, tenha fé em Deus que vc tem em casa uma boa pessoa trabalhando! Preste bem atençao se o Samuel fica tranquilo com ela , se ha mudança de humor dele, criança mesmo qdo nao fala demonstra mta coisa!
um beijao querida em vcs tres!

Sofia,Pedro e Joana disse...

Olá querida mamã, é mesmo, os primeiros dias são os que mais custam, depois com o tempo tudo normaliza, vais ver!
Mil beijinhos,Sofia,Pedro e Joana

Dany disse...

Só posso te dizer que você vai se acostumar.
Como sou mãe de segunda viagem, dessa vez foi BEM mais fácil!
E tenha certeza: nós "sofremos" muito mais que eles.
Beijos
P.S. Um dia desses poderíamos nos conhecer pessoalmente, né?