O bom da vida é sair por aí...Descobrir o mundo, descobrir as pessoas e as coisas...Sentir, olhar, experimentar... viver o que é bom e saber diferenciar...ampliar os horizontes sem ter medo de ousar!!!!

Por Camila Marinho

7 de maio de 2007

De quem é a culpa?



Na última sexta-feira (04/05), 16 donos de postos e distribuidoras da Paraíba e de Pernambuco foram presos numa operação da Polícia Federal acusados de manipular o preço dos combustíveis. Segundo as investigações, a cartelização era praticada há pelo menos dez anos. A cartelização é uma realidade de vários estados, mas em muitos não há provas suficientes que comprovem tal prática. É fácil explicar: o simples fato dos preços serem iguais não configura cartel! É necessário ter algum tipo de prova (alguma gravação, por exemplo), que comprove que há combinação de preços! Ou seja, o crime é combinar preços!!! E para que se prove isso, é preciso que ocorra um grande envolvimento de órgãos competentes, como Ministério Público e Polícia Federal, para desmascarar essas quadrilhas. Sim, porque são verdadeiras QUADRILHAS! É um crime de ordem econômica, mas que afeta toda a sociedade. Um problema que vai parar no bolso do cidadão!
Mas é importante se lembrar de que o mercado dos combustíveis tem um outro crime no qual temos DIRETA PARTICIPAÇÃO! É a adulteração de combustíveis!
Quantas vezes você já sentiu o carro falhar ou apresentar uns "soluços" e no fim suspeitou do combustível que acabou de colocar?? E quantas vezes você denunciou este problema? PROVAVELMENTE, nenhuma! Certo? É a realidade da sociedade brasileira. A gente reclama com o pai, o amigo, o vizinho, o colega de trabalho.... mas será que a gente reclama com um órgão competente? Será que a gente denuncia o problema? A obrigação de fiscalizar estes postos é da ANP, Agência Nacional do Petróleo. O certo seria (SERIA) que as fiscalizações ocorressem de forma mais intensa... Mas é ilusão pensar que existe tanto fiscal para milhares de postos. Não há pessoal suficiente e, muitas vezes, o problema não se concentra apenas na quantidade deles, mas principalmente na falta de eficiência dos órgãos públicos. Mas essa é outra questão, que não vale a pena ser discutida neste momento. O importante é alertar para a necessidade de denunciar qualquer suspeita de combustível adulterado! E correr atrás. No último sábado fiz uma matéria para o
BATV, telejornal da TV Bahia, afiliada da Globo, mostrando o exemplo de duas senhoras que foram na contramão da maioria dos brasileiros. Elas DENUNCIARAM! Depois de abastecer em um posto de uma das principais avenidas da capital baiana, em pouco tempo rodado (cerca de 200 metros) os carros pararam!
A HISTÓRIA: Primeiro aconteceu com a funcionária pública Márcia Ladeia. Ela colocou quase 114 reais de gasolina. O carro começou a soluçar e em pouco tempo parou completamente! Desconfiada do combustível, ela voltou ao posto e exigiu um mecânico ou funcionário do posto que avaliasse a gasolina colocada. Para surpresa dela, o próprio gerente do posto, depois de ver o combustível, confirmou que tinha ÁGUA na gasolina. Com Maria Conceição não foi diferente! Tudo aconteceu no mesmo dia e posto! Ela colocou 30 reais de gasolina, andou alguns metros e pronto. O carro parou!!!! E, vejam a coincidência: elas se encontraram na tal avenida, com os carros parados, e juntas mobilizaram "mundos e fundos" para correr atrás dos direitos. Só saíram do posto depois de deixar o carro lá com a promessa do dono do estabelecimento de que iria levar os veículos a uma oficina.
Mas elas não pararam por aí. Denunciaram na ANP e procuraram a imprensa (ah, a imprensa!!!). O resultado é que a ANP esteve no posto e colheu amostras do combustível. Na gasolina à venda, nada foi detectado, mas no tanque desativado após o incidente a análise constatou apenas 3% de álcool, quando o recomendável é ter entre 22% e 24%. Só um detalhe: a quantidade abaixo do normal de álcool é indício de que há contaminação por água. O posto foi autuado e multado em 5 mil reais! A alegação do dono do posto é a de que houve um vazamento e, daí, a contaminação. Ora, porque ele não parou de vender o combustível quando percebeu o tal vazamento? Foi preciso que duas mulheres denunciassem para desativar a bomba.... agora imaginem quantas pessoas abasteceram neste posto e NÃO fizeram o mesmo que Márcia e Conceição?

É preciso fazer nossa parte como cidadãos! A dica da ANP é denunciar em qualquer suspeita no telefone 0800 970 0267, ou pelo site www.anp.gov.br. Ao efetuar a denúncia informe CNPJ e razão social do posto (que constam na Nota Fiscal), endereço, distribuidora, e a descrição do ocorrido. E não se esqueça: exija sempre a nota fiscal como comprovante do abastecimento!

Ah, e vale ficar alerta:
É OBRIGAÇÃO DO POSTO REVENDEDOR REALIZAR ANÁLISES DOS PRODUTOS EM COMERCIALIZAÇÃO SEMPRE QUE SOLICITADAS PELO CONSUMIDOR. PARA ISSO, O POSTO REVENDEDOR DEVE MANTER DISPONÍVEIS OS MATERIAIS NECESSÁRIOS À REALIZAÇÃO DAS ANÁLISES (PORTARIA anp N.248/2000, ARTIGO 8º)


PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DA PRESENÇA DE COMBUSTÍVEL ADULTERADO NOS MOTORES:
- resíduos em bicos injetores e válvulas
- perda de potência
- aumento do consumo
- resíduos sobre velas de ignição

Fazer a nossa parte é fundamental para que as coisas possam mudar e, principalmente, melhorar!

Um comentário:

Emerson disse...

Olá, menina...
bacana demais ter notícias suas. De vez em quando te vejo na TV.
Legal o blog!!!
Tudo de bom.
Beijos,
Emerson Penha
Brasília-DF