O bom da vida é sair por aí...Descobrir o mundo, descobrir as pessoas e as coisas...Sentir, olhar, experimentar... viver o que é bom e saber diferenciar...ampliar os horizontes sem ter medo de ousar!!!!

Por Camila Marinho

20 de maio de 2007

Exemplo de superação


Na última semana fiz uma reportagem especial para o Bahia meio-dia, telejornal da TV Bahia, abordando a questão da violência sexual. E uma das mulheres que entrevistei me mostrou como é possível dar a volta por cima e viver em paz mesmo depois de tanto sofrimento! O nome dela é Vera Lúcia, uma baiana "guerreira", de 39 anos. Aos 10 anos de idade ela foi estuprada por um vizinho. Na época, a mãe dela preferiu se calar porque tinha medo que a menina ficasse rotulada e marcada pela sociedade. Hoje, 30 anos depois, ajuda pessoas que passaram pela mesma situação. Ela tem um Orfanato no subúrbio ferroviário de Salvador onde atende quase 80 meninos e meninas vítimas da violência sexual. Mas no início enfrentou muitas dificuldades. Para realizar o antigo sonho de abrir o orfanato, precisou contar com a ajuda de doações. A casa onde funciona o abrigo é paga até hoje em suaves prestações. E mais: o local era uma chácara, com canil e baias de cavalo, que depois da reforma solidária acabaram virando dormitórios para abrigar meninos e meninas com um passado de dor e tristeza. Hoje ela tem dois convênios: um com o governo federal, em que recebe R$2.100 por mês, e outro com o governo do estado, pelo qual recebe pouco mais de R$22 mil, mas este último não vem sendo pago há 04 meses!!!! Se mesmo com os convênios o dinheiro é insuficiente (ela depende das doações), imagine sem o dinheiro? Pois o orfanato que hoje ajuda dezenas de vítimas da violência sexual corre o risco de fechar as portas. Além não receber a verba do governo estadual, ela ainda tem que atender as exigências do Ministério Público: 'Eu tenho 9 meses para adequar toda a estrutura pra que não feche né? Eu tenho um acordo com MP e nesse acordo eu tenho que conseguir estruturar tudo. As minhas crianças hoje são minha vida, e se por acaso eu não conseguir ajuda e ele vir a fechar eu não sei o que vai ser da vida delas, confessa.'

Enquanto me contava sua história, Vera disse algo que me marcou bastante. Segundo ela, certo dia um grupo de psicólogos visitou o orfanato e fez uma espécie de “dinâmica” com os funcionários que trabalham no abrigo. Durante esta dinâmica de grupo, um destes psicólogos perguntou a ela quais eram as 3 coisas mais importantes na vida dela, e ela respondeu: “Deus, meus filhos e minhas crianças” (obs: Vera é casada e mãe de três filhos, e se refere aos meninos e meninas do abrigo como as crianças dela).
Bom, depois que Vera falou sobre as três coisas mais importantes da vida dela, o psicólogo disse: “descarte duas dessas três coisas. Você só pode escolher uma”. E Vera respondeu que não podia, não tinha como... Todas eram muito importantes. Foi então que o psicólogo respondeu: “Quando essas crianças chegaram aqui no abrigo já tinham perdido tudo de mais importante na vida, por isso devem ser tratadas e ajudadas”.

E foi neste orfanato que ouvi muitas histórias tristes, mas uma me impressionou muito. Foi a de uma menina de apenas 13 anos, recém saída da infância, que está grávida de 3 meses. Na barriga ela carrega o filho do próprio irmão, que tem 29 anos. E o caso é ainda mais chocante porque a menina foi vítima de vários agressores. Ela foi estuprada inúmeras vezes, desde os 3 anos de idade, pelo tio e também pelos amigos dele. “Eu sabia que isso era errado, mas eu não tinha como. Se eu dissesse para qualquer pessoa, ninguém iria acreditar.. minha mãe não acreditou em mim”. Sobre a gravidez, fala com muito pesar: “Hoje eu me sinto suja e diferente das pessoas. Sei que isso um dia iria acontecer, mas não agora. Eu queria que isso acontecesse depois que eu tivesse casada, com a pessoa certa.”, revela a adolescente vítima de violência sexual.”

Meninas com histórias deste tipo, e até piores, precisam de ajuda! Quem quiser ajudar a instituição "Pérolas de Cristo", que cuida de crianças e adolescentes vítimas da violência sexual, pode ligar para o telefone (71) 3397-0361. O estatuto da criança e do adolescente prevê pena de seis a dez anos de prisão para quem comete estupro contra meninas ou atentado violento ao pudor contra meninos. Para o crime de exploração sexual a pena é de quatro a dez anos. Quem quiser denunciar a violência sexual é só ligar para o número 100.

Quanto a Vera, ela continua lutando para que o orfanato não feche as portas. E prova que é exemplo de superação: "eu digo muito que Deus ajudou a direcionar esse trabalho. Porque quando você trabalha com vidas você cresce, você melhora. E tudo que a gente sofreu deixa de existir porque a gente vê pessoas, crianças e adolescentes, que passaram traumas bem piores que o meu. Aí, de certa forma a gente pode dizer que Deus faz tudo certo.”

3 comentários:

Benja disse...

Vi a matéria. Dispensa comentário, apesar de o estar a fazer aqui. Parabéns.
Olha eu também tenho um blog agora. Ainda vou formatar direitinho, mas já tem um post lá. Quando pude acessa e deixa o comentário:
www.velhotrote.blospot.com

Isabella Leal disse...

Cacá, tem idéia de onde acabei de chegar???? chuta!!!! ahahahah! Da casa de mamis! Fui comer Peti Gateau! Vivaaaaaa!!! Tava uma delícia, vc perdeu! Falamos muito de vc, clarooo, sua orelha deve ter coçado ai! Eu fiquei atentando a Pri como sempre, foi ótimo. Faltou só vcs mesmo! Grande beijo amiga, saudades milllll! E Parabéns pelo blog, as matérias estão nota 10!

Leandro disse...

Bom dia
Não so é importante esse trabalho de ajuda a essas crianças como o seu trabalho de mostrar essa realidade, que você possa cumprir o seu papel e desmascarar e ajudar crianças que não tem voz, que sofrem e não podem falar, crianças que deveriam receber amor mais o que recebem é abuso e maus tratos, peço que Deus te abençoe.
abraço